São, Salvo.

Mês: julho, 2018

Baile

Acabo falando do nada

E o vento baila com as nuvens
Com a sombra das nuvens
Em bailes nítidos, imaginários

Mas sem querer

Como fazem as brisas e as sombras das nuvens
nas horas que dançam
preciso saber

Ensaios do que não posso


O horizonte está acordado
Tem os olhos atentos como os meus
Procuramos


O lugar do palco invisível no espaço
O Indiscernível inimaginável

A realidade onde um floreio aconteça

Onde uma imagem surja:

Uma perna de vento esticada
Um corpo de sombra na ponta dos pés

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Desfaçatez

Talvez a realidade se desfaça em penas
Talvez se desfaça em plumas
Ideias tantas


Talvez as teias de aranha revelem finalmente
O vazio de que são feitas

E as coisas saiam da frente a revelar para sempre o que guardavam

A fina realidade em que a aranha mora.


Talvez o tamanho – limpo de tudo
Seja o de um grão 

O que não palpita nem pulsa

Apenas habita
O vazio esticado

Observado por ninguém numa palma de mão.