São, Salvo.

Mês: janeiro, 2017

Varal

Os coqueiros despenteados
passam as mãos
agitando os braços sobre os meus cabelos

Todos olhamos o mar
esperando terminar de escorrer
o barulho acabar
virar tudo

as ideias reduzindo
molhadas junto

secas no ruído do mar

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Sonhos

Cuspi os sonhos no mundo
pedindo que sonhassem por mim

caminhei sobre os sonhos alheios
mas mal se notavam perdidos
impressos no chão da calçada

não lembro

Temos pastas abertas diante de nós
fichários
pastas e pastas:

temos o que nos parecem pistas
temos o que nos parecem provas
temos o que nos parecem pegadas

farejamos ao longe
quando o perto se fantasia

chega a vestir o horizonte.

Noctâmbulos

A noite me tinha perdido
caminhando sobre os lençóis
alvos da sua cama alinhada.

As esquinas existentes
desdobravam vazio
esticada esplanada.

Vi uma poeira brilhando no escuro
Vi várias
Achei que dançava

O branco de olhos abertos
povoando a noite de gente
de gente

cheia de lua.

Cerco da madrugada

Lembro o que a noite abraçava
mansa
o vácuo quando os prédios deixavam

Meu peito espelhado de estrelas
respirava o ar frio
além do que a cidade esquentava

noturna

a noite não era ninguém
nem a calma

Um abismo sobre nós

a gravidade que falha.