São, Salvo.

Mês: março, 2015

Ventura

A mão que construía
sem saber
contava com a sua

mão segura

às vezes nem construía
mas sim desenhava
ou largava o lápis

a vida vazia

nada a conhecer
restava

junto a sua mão
que cala
a ventura da vida

calma.

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Encarnado

Hospedei a vida
e tinha de fazer querer
ela ficar

Areia

A maré beliscando
os dedos
trazia cheia

de todo lado

Avançando em meu bocado
dizia meu

Chorando meu saber
dizia
não posso

a água
já entre os dedos
dizia areia

então tudo nosso.

Ficar

Frustro o mergulho de um peito
deseja sumir
aposto

escondo seus pertences
nas possibilidades
presentes

nas pessoas pra dar beijo
antes de tchau

Intrusa

As vezes a morte
parece uma coisa impossível
de fora

como o fim da noite
em que me sinto bem

toda a festa que meu peito
empurra
adiando o sol que vem

sem permissão