São, Salvo.

Mês: dezembro, 2013

Despertos

 

O mundo do mar

boceja

o sono de quem duvida

de algo novo

 

Sua jornada simples

é expulsar do abraço,

despertos seres de um sonho

 

o caminhar da espécie

em fornalha fria

 

seres fadados a se levantar

sem rumo

procurando boiar.

 

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.

 

Eu vejo que se encaixa

na geometria das ruas

o esmo quieto

e calado

eco da noite.

 

Vejo caminhar pelas sombras

escuros retesados

pontiagudos

retas de mim

eu mesmo.

 

Um passo em cada canto que só

o vento visita

cada pedaço da montanha

chão.

 

Quero e me espalho

nos poros

dispersos da cidade

nuvem

 

ou fico e vou me rangendo

no asfalto

a parte presa do espírito

espécie que voa alto.

 

Na ladeira a deslizar

sob mim

riscada à garra

descida em sempre

 

me inventando e me deixando pra trás.

 

Origem

 

Aceito e destino

sem nenhuma lágrima

 

faz tempo que se distribuem em mim

como um rio

que corre

sem nenhum cair.

 

Às suas margens

sou capaz de sorrir

no esquecimento

 

na realidade ondulada do que são

e do que é feito

as lágrimas

 

Entendo apenas só

que é agua

 

Um calmo espelho branco

em que passo

com gosto salgado

e inundado de sol

 

Me ofereço

 

a quem me criou dessas águas

ao que não se escorreu pelos dedos

e que hoje corre em mais do que em mim.