São, Salvo.

Mês: outubro, 2013

Natural

 

Reconheço o que escapa

e resiste

de um passado despisto

em tramas.

 

um guepardo a perseguir a fome.

 

Um retalho tão pequeno de luz

no ar

não importa resistência alguma

 

uma gazela que foge no automatismo aprofundar do medo.

 

Busco soprar

e quem sabe contê-lo

pequeno

no distante em que está.

 

Um chimpanzé a perscrutar a comunhão que se desmancha

a linha do horizonte.

 

Já é gigante e não tenho medo

a curvatura leva ao sempre

tão perto de mim

 

agora

 

o soterrar do sonho natural

de alguém

 

para o triunfo de tantos outros.

 

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Desmancha

 

Ao olho cego

do passado

agulha

 

Alívio ao corpo

que sustenta

mastro

o resto da gruta

 

Sussurro resoluto

atravesso e vento

furo no escuro

cru,

colhendo o tempo.

 

E nos mergulhos de cabeça

a costurar

 

pro frio

 

raspas de gelo

a ruir

sem quando

 

cada passo afunda.

 

Aberto

 

O tempo se mostra aberto

ao dedo

e a ponta do tato

 

como uma mulher

à procura

 

desejo

suspenso do fim

 

em mim

 

explode a humanidade.

 

.

 

Nessa caverna

em que vivo

decoro o mundo.

 

Todas as possíveis mutações

desse escuro

quase

que permanece

 

acolhendo tudo.

 

Meus olhos

os primeiro dedos

apoiado na íris

impulso

 

A pupila em que me abro como flor

 

o sorriso com que deus acabou

 

a cara da média do mundo.