São, Salvo.

Mês: abril, 2013

 

Queria ser um poeta na praça

e com tempo

ir ficando

 

louquinho, louquinho

 

esperando o tempo passar

 

O tempo já é um poeta na praça

e me espera

às vezes

 

sentado no banco, dá de comer aos pombos

come ele mesmo um ou outro

 

corre em meios as crianças e cai

como o sol na grama

 

guarda o segredo que a essa altura

lhe resta

a noite

 

indaga o tempo

nos olhos seguros da estátua

 

o tempo não passa.

 

onde estarei eu nessa hora?

 

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Cavalo

 

Pensei que a poesia

 

livre cavalgo num lombo

extenso

 

um poeta pequeno

as rédeas mãos

tensas e sérias

querem

 

nas linhas retas

 

sabem cavalgar que não sabem

cavalgar

que não sabem

cavalgar que não sabem

noite

 

girando em frente.

 

espero não esquecer que

cavalgo

é tudo que tenho

 

o pé firme no estribo

o giro

devaneio que algo

 

cavalgo

 

um sela no ar

pequeno imenso.

 

do infinito

faço o cavalo que toco

relincha e come capim

 

mais reto, cego e forte.

 

um cavalo sobre mim.

gota d’água

 

Minha saudade acabou

secou

não tem riacho

 

foi o dia que se fez mais claro

em meus olhos abertos

ou semicerrados

encarando esse sol

todo

 

Ex

corri-me

lágrima

em teu caminho

 

engatinhando em seu percalço não te vejo nem paro.

 

Vagueia a tristeza

uma gota sobre a mesa

bamba.

 

O que seria dessa lágrima ao mar?

 

é da mesma água gelada

dessa imensa

imprecisão salgada

ou me segue

concentrada

água

 

minha gota no mar.

 

Sob um coral colorido

trans

lúcida de solidão

 

vive em tua cercada

gota

no meio d’água

 

teus pés sobre a borda

apegada

e falsa

tu

tu mesma, acaba

 

em alegria

 

és como tudo

como água.

 

Pedradas

 

Uma primeira lua

cruza o céu diminuta

como a terra e o chão.

 

Situado nos meu pés parecidos

precisos

naquilo que são.

 

De repente um pouco menos, mais em vão

se uma lua cruza

ou duas

a noite cheia de asteroides brancos.

 

Sinto medo suspenso em mim

como a terra em seu universo

temo

por nossa única lua parada.

 

Peço que passem rente

cada pedrada

 

com a força de um peito

no infinito e resoluto desafio em que segura o ar

com certeza

 

Nossa lua olha por nós

que percorremos

 

o que nos risca

ou poderia arriscar

por nós

 

desse mesmo jeito.

 

Feixe

 

Mesmo quando esmoreço

o traço

sei que vou me perder pela força

pela reta em frente

e pelo passo.

 

Sei que anoiteço e não acho

um bocado extinto

aquilo que fazia ontem.

 

Não vejo que o sol não seja pra mim

do lado de fora

e longe

 

do nosso lado.

 

Indefeso me recuso desse caso

escuro

e fujo

 

à sombra de um mundo que se banha de sol.

 

Como um balão

barbante

amarrado em meus pés

 

flutua.

 

Há de haver em cada turva

agrura

uma curva que me deixa

 

livre

 

na noite

sóis.