São, Salvo.

Mês: março, 2013

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Volta num ônibus lotado

é melhor do que morar no mato

 

Cozinha pro filho morto de fome

esfomeado

é melhor do que morrer no mato

 

Corre pro sono

que amanhã se anuncia

no quarto

 

é melhor,

eu mato.

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Caixa

Sou quebrado como um bonequinho

um peça procurando encaixe

um triângulo vermelho que não passa

 

no vão da madeira

sou como todo coração

arranhado

 

um comandos em ação sem braço.

 

Eu passo a passo

e brinco

como se escalasse

 

como se passasse

mas ando

mas estou parado.

 

Tamanho

 

Fazia tempo que eu não deitava

com o mundo inteiro na cama

assim

tão povoado

 

Meu corpo é um barco

um continente, um planeta

que de todo jeito nada

 

Aquilo que você fez

ali na hora

dobra

provavelmente um efeito

 

Perdoei como as crianças que passaram sob minhas mãos

andei de mãos dadas com elas

de tantas me despedi

 

Se amontoam no passado jogando bola

 

Ainda é assim

hoje

como um sonho coerente e bom.

 

Um novo sujeito me aparece e de repente eu

que era tranquilo

somos dois absurdos

 

Quando a solidão faz sentido é pra tão pouca gente.

 

Novo

 

Virei poeta

por um movimento hercúleo

 

uma espécie de ceguez sincera

 

Ao ver que haver

só tinha uma

esqueci do que fui feito em terra

 

Soerguendo com as pernas que tinha

o homem que ainda não era

 

Antes

 

Estamos aqui

entre nós conversamos

 

de repente os carros

 

estacionados ocupam a rua

que estende

 

De repente as árvores

são

mas já eram altas há pouco

 

Num instante falamos sobre

um grande universo

 

e a lua muda.