São, Salvo.

Mês: janeiro, 2013

Linda

 

A beleza se levanta e some

num tombo distraído que desaparece

rumo

 

bastante vago.

 

A nitidez da beleza

sustento improvável

– segundo consta

o tempo

 

destrói quando passa.

Carregaria essa beleza nos ombros

se me fosse dado

 

proteger de um novo vento

teus cabelos

já soprados

 

se é ali que aconteço

distraído

 

desgrenhado.

 

Anúncios

Campos

 

Eu nunca sei se fui eu que criei

esse monstro

que agora corre nos campos

amplos

 

na amplidão.

 

Jamais adivinhei se são amplos

campos

ou um pequeno quarto escuro

um cubo

na palma da minha mão

 

Não sei o quanto desejo

e largo

do horizonte sem direção

 

Pro mundo

que abre num passo

a curva

 

que soma um quarto na minha invenção.

 

Carnaval

 

Todo ano o mesmo conto de carnaval.

 

Travestida em suor

nossa lágrima bêbada

 

é na rua que se fantasia

o Rio.

 

No vento que parou de soprar desatento

 

em frente o sopro que agora gira

 

num rosto e nos mil

nossa gente toda em fevereiro

 

Sumiu.

 

.

 

Tanto trabalho duro a fazer

com madeira

poeira de pedra e densa

vegetação

 

Tanto a mão que segura

o cabo

no braço-facão.

 

O caminho que abre

o peso

de alimentar esse coração

obrigado

 

Mão.

 

atenção

 

Me pergunto se hoje

que horas vem

 

deveríamos ter nos impressionado mais com as flores

não é porque nascem assim

 

a comissão internacional de imitadores do feitio da flor

nunca saiu do papel

 

Mas a flor, sim

por entre os blocos do fundo

espichou sua cabeça em cor

 

pra ver se vê

se vê se vê

 

o mundo aqui fora.