São, Salvo.

Mês: setembro, 2012

Armar

 

Me guardo em quem sabe

meu lugar no mundo

 

Quem tem o que perco

e preciso

ponto em que acabo.

 

Sou em seus olhos

meus detalhes que escapam

 

Borboletas que voam e desaparecem.

 

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Relógio

 

A vida que surgia erguida aos montes

um dia

agora se esconde aos seus pés

 

Acordada a posição do sol

que subiria

a lua

e a pontualidade do céu

que agora dura

 

sombra da imensidão

 

Como eles

meu final é terminar

sempre foi

 

como tinha que ser.

 

Horizonte

 

No horizonte a vida me importa

ainda que pareça dormir

 

não me engano no silêncio dessa linha

que espreita

sua vez de ser mais do que aqui

 

o vento que sopra

a colina

cerca de estrelas

 

não faço parte desse destino

 

a lua que se faz de morta

aos montes

nos dá as costas contra um astro rei

 

A noite em que dormimos

tão nossa

 

é uma sombra no universo

como tantas outras

 

Ação

 

Assim que da cama pus os pés no chão

senti medo

de um tubarão.

 

Devorava o assoalho

abrindo caminho

entre o chão de taco

pra me morder o grito.

 

E tirando daí o que é imaginação,

pude andar tranquilamente até a mesa do café

pra comer meu pingado com pão.

 

O que em nada muda o fato:

de que fui atacado

 

Surdo

 

Meu olhar que de repente procura

o mesmo céu

onde nada acontece

 

o mesmo mudo

 

sem nenhum porquê

me formulo

em teu mesmo azul surdo

 

me deseja

que um mundo seguro

 

me devolva a palavra que seja

me espelha

 

o maior absurdo