São, Salvo.

Mês: agosto, 2012

Eterno

Só o poeta pode morrer

achando que há comida na fome.

 

Saciado num futuro

pra sempre eterno

na imagem de um sol que se apaga

 

o poeta se acha mundo

 

que continua

mesmo depois de morrer.

 

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Grão

 

Tudo já foi um grão como este

que levo no peito

 

quando

 

o universo tinha olhos fechados

e simples.

 

Trago o amor como um vácuo

 

infinito em quem se precipita

o mundo

engolido as pressas

 

querendo ser mais do que quer

que for

se estender e partir

desse amor.

 

Errata

 

Tenho as palavras erradas

e um pouco de solidão

 

Ninguém que escute esse corpo parado

Essa boca que não tem solução

 

Falo em poder por um mundo livre

Falo em dinheiro pela comunhão

 

Silencio pela música

que não danço

 

Engulo certo pranto pelo que se vai

E o que seria se eu fosse

 

Mato pelo que há dentro do peito

Vivo

Pelo que receio.

 

Lua

 

A noite equilibrada em meu peito

tentando dormir

nem um pouco de dor

 

a cidade enlouquece

 

bombeia as ruas

de carros

um coração que se foi

 

a luz de um rio que sangra

ilumina as calçadas

que ninguém vê

 

Os prédios tão cheios de gente

o tempo enterrado na terra

distante de nossos pés

 

A cidade se perde

 

Viadutos arremessados do chão

em alta velocidade

 

A lua sobrevive em meu peito

essa sombra guarda minha chance de descansar.