São, Salvo.

Mês: julho, 2012

Fome

.

Ás vezes como

menos tempo no meu coração

que descansa

e não precisa de nada.

 

Ás vezes bate pelo mundo

devorando o que falta

uma porta aberta.

 

procurando cada som que balança

um peito

que se enche de ar.

 

mergulhando em cada cor que me molha

um jeito

um lugar pra parar.

 

Mas é só quando esvazio

pro mundo

que as coisas são o que são

 

e isso

é

tudo.

Anúncios

a toda curva que se dobra

 

Esses lugares te vestem

mais que tuas roupas

 

esse desvios do teu corpo

tentando se acostumar

 

fazer sentido entre as paredes

percorrer esses corredores

 

brilhar nessa luz

nessa sombra

 

imagino com essas luminárias no teto

 

vestido desse bloco de concreto

despido e disperso

 

concentrado numa imagem

 

maquete viva desse lugar.

 

Vocabulário

 

Deserto pruma imensidão

a dizer o que vejo

 

Essa sombra

com passado

e ruído ao fundo

não tem nem nome

 

Tão pouco, mas tanta fome

 

Se soubesse o que é esse sonho

tinha fundo

 

Te diria o que for

batismo mundo

Paraíso

 

Alma nos confins de um copo

que no entanto entorna

o infinito da coisa

agora

 

o que parecia sempre não parece durar

 

A verdadeira beleza

do tamanho do mundo

se acomoda num pequeno segundo

e se ajeita

 

o que a gente persegue como vida inteira

 

É o cume da noite

Uma luz que se deita

anotando o fim do dia

 

É apenas um ponto

um paraíso sem planos

 

Dê-se por satisfeito

Nesse segundo que achamos.