São, Salvo.

Mês: julho, 2010

Noite de um alto mar

.

O escuro é uma noite no mar

 a rodear pequenas luzes

 trêmulas

 bóias de sinalizar

 como quem sopra uma vela

 e vê a chama tremular.

 .

 Enfeitam como fogos de artifício

 suspensos no ar

 esquecidos

 do destino de estourar

 não sabendo por onde

 pulando as ondas

 .  

Ao fundo uma ilha deserta, decorada pra festa junina

 parte e navega pra algum lugar

 transatlântica

 escorrendo o mar

 é agosto, e já nada devia estar lá.

 .

 É todo um mar de saudade,

 que se esqueceu de apagar.

.

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Caldo

 

Nas águas de minha

poesia é um caldo

                                                                                                                                                                                               .

Profeta

 

Profeta do nada

vieste

E sobre o pó

versaste

zeloso de um grão

que achaste

vago

ergueu teu império

ensaio

em tua prosa circular

de vento

teus súditos num carrossel

sem centro.

Segundos

 

Um poeta de amor

com os pés no chão

Um ponteiro

de relógio de sol

fazendo sombra

É meio vida em ponto

e tudo se perde em segundos

Naus

 

Meu corpo loteado em quadrados

minha alma, de areia

como a partilha da África

Tracejadas réguas sobre as águas

que passam

                        [evaporam, escoam

para todos os lados

Pangéia um dia

                        [tudo se afasta.