São, Salvo.

Flor

As folhas de grama correram ao fundo
Queriam me apontar uma porta
No fim do jardim que eu criava
Havia o botão de uma flor

Quando vi já corria
Meus dedos
Na ponta dos pés
Sobre as pétalas
Enquanto sonhava com pólens
Em pleno voo

Apertei o centro daquela beleza
Como se fosse me abrir uma porta
E a procurei entreaberta
No meio das nuvens

Mas a flor estava morta
Não dura muito

Eu caia de novo no chão

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Mulher

Esse poema é sobre uma mulher
Ela está atirando

Montada sobre o poema
Ela está atirando

Como se isso fosse um cavalo
Ela está atirando

Galopa

A ideia etérea
de uma metralhadora.

Túnel

Vida objeto diante de mim
Maçã incorpórea mordida de ar
As cores em volta dos olhos borrados
O túnel focado em faísca
Atenção, correndo
A vida em um furo de ver

Fagulha

Desdobrei um beco aberto
Desfazendo as ruas

As esquinas cambiantes
Contra a luz
Dos céus

Era noite

Vi o que as calçadas não eram
Pistas de decolagem

Os pensamentos escuros
Sem vontade de formar
A luz manca

A ideia impossível do branco
A beleza

A faguha contra o breu

 

Carnaval

quando o carnaval chegar
eu vou pular o carnaval
como

me imagino no meio de todo mundo
e para onde vamos quando
afinal

a fantasia na fantasia

a afasia olhando o túnel
de ar

no meio das serpentinas.