São, Salvo.

Fagulha

Desdobrei um beco aberto
Desfazendo as ruas

As esquinas cambiantes
Contra a luz
Dos céus

Era noite

Vi o que as calçadas não eram
Pistas de decolagem

Os pensamentos escuros
Sem vontade de formar
A luz manca

A ideia impossível do branco
A beleza

A faguha contra o breu

 

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Carnaval

quando o carnaval chegar
eu vou pular o carnaval
como

me imagino no meio de todo mundo
e para onde vamos quando
afinal

a fantasia na fantasia

a afasia olhando o túnel
de ar

no meio das serpentinas.

Momento

Arranco a procura
e quando vejo o caminho some

Sair das ruas para o horizonte
do que ele é feito
escuro e a ideia de luz

No começo não podia haver nada
não havia nada
era o fim:

Dois colchetes para a perda de tempo
efêmera

Para a beleza animal.

Vida

Faço das tuas linhas
simples
sem resposta para o que falta

O mundo como poucas ilhas
pináculos de um jeito só
cercadas pelo mar
e nada

Um tapete
assim como a confusão
sumindo quando estou desatento

Dois tipos de iguais
opostos

outra prova sobre a unidade.

Branco

É engraçado
uma hora cega

O tempo dobrado na mesa como uma toalha

A respiração às vezes parece que toca
o tempo
como uma boiada

Uma manada fugindo
sobre a ideia do branco

sobre a mesma toalha.