São, Salvo.

Medo

O enterro do medo que volta a brotar

No esforço de fazer uma flor

Branca aberta

Querendo aninhar um céu todo

Um azul de grandes costas

Que afasta

Que apaga e acende nos trancos

Curtos

Circuitos.

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Céu

Infelizmente
Tive que atirar contra o céu
Porque ele me olhava impassível
Assim como eu

Olhei o tiro se perder para o alto
E o barulho sumir
Como se a possibilidade de mudar
Me deixasse

O espaço inatingível
feito da mesma matéria
Inrasgável
Que vai entre tudo
Eu em mim

Repito que é bom
Que peço desculpas
Eu não queria ter atirado

Acho que o ceu é bonito
Mesmo que não seja

O infinito começo para um monte de coisas.

Flor

As folhas de grama correram ao fundo
Queriam me apontar uma porta
No fim do jardim que eu criava
Havia o botão de uma flor

Quando vi já corria
Meus dedos
Na ponta dos pés
Sobre as pétalas
Enquanto sonhava com pólens
Em pleno voo

Apertei o centro daquela beleza
Como se fosse me abrir uma porta
E a procurei entreaberta
No meio das nuvens

Mas a flor estava morta
Não dura muito

Eu caia de novo no chão

Mulher

Esse poema é sobre uma mulher
Ela está atirando

Montada sobre o poema
Ela está atirando

Como se isso fosse um cavalo
Ela está atirando

Galopa

A ideia etérea
de uma metralhadora.

Túnel

Vida objeto diante de mim
Maçã incorpórea mordida de ar
As cores em volta dos olhos borrados
O túnel focado em faísca
Atenção, correndo
A vida em um furo de ver