São, Salvo.

Digo

Proponho um jogo complexo

maquete no ar

aprendo:

 

meu movimento.

 

O inimigo não veio

duelo sem par

sou amigo

 

um de mim mesmo

próprio

 

Um abraço digo boa,

 

digo vai lá.

Céu

O mundo se erguia

um castelo no alto do morro

 

as pedras rolando pra baixo

casas e nacos de terra,

os detritos que eram as coisas

grama

a ladeira desfaz

 

vertigem de novo

 

Sou eu que ceguei aos detalhes.

Com eles fazia planícies,

não céu.

Varal

Os coqueiros despenteados
passam as mãos
agitando os braços sobre os meus cabelos

Todos olhamos o mar
esperando terminar de escorrer
o barulho acabar
virar tudo

as ideias reduzindo
molhadas junto

secas no ruído do mar

Sonhos

Cuspi os sonhos no mundo
pedindo que sonhassem por mim

caminhei sobre os sonhos alheios
mas mal se notavam perdidos
impressos no chão da calçada

não lembro

Temos pastas abertas diante de nós
fichários
pastas e pastas:

temos o que nos parecem pistas
temos o que nos parecem provas
temos o que nos parecem pegadas

farejamos ao longe
quando o perto se fantasia

chega a vestir o horizonte.

Noctâmbulos

A noite me tinha perdido
caminhando sobre os lençóis
alvos da sua cama alinhada.

As esquinas existentes
desdobravam vazio
esticada esplanada.

Vi uma poeira brilhando no escuro
Vi várias
Achei que dançava

O branco de olhos abertos
povoando a noite de gente
de gente

cheia de lua.