São, Salvo.

Baile

Acabo falando do nada

E o vento baila com as nuvens
Com a sombra das nuvens
Em bailes nítidos, imaginários

Mas sem querer

Como fazem as brisas e as sombras das nuvens
nas horas que dançam
preciso saber

Ensaios do que não posso


O horizonte está acordado
Tem os olhos atentos como os meus
Procuramos


O lugar do palco invisível no espaço
O Indiscernível inimaginável

A realidade onde um floreio aconteça

Onde uma imagem surja:

Uma perna de vento esticada
Um corpo de sombra na ponta dos pés

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Desfaçatez

Talvez a realidade se desfaça em penas
Talvez se desfaça em plumas
Ideias tantas


Talvez as teias de aranha revelem finalmente
O vazio de que são feitas

E as coisas saiam da frente a revelar para sempre o que guardavam

A fina realidade em que a aranha mora.


Talvez o tamanho – limpo de tudo
Seja o de um grão 

O que não palpita nem pulsa

Apenas habita
O vazio esticado

Observado por ninguém numa palma de mão.

Medo

O enterro do medo que volta a brotar

No esforço de fazer uma flor

Branca aberta

Querendo aninhar um céu todo

Um azul de grandes costas

Que afasta

Que apaga e acende nos trancos

Curtos

Circuitos.

Céu

Infelizmente
Tive que atirar contra o céu
Porque ele me olhava impassível
Assim como eu

Olhei o tiro se perder para o alto
E o barulho sumir
Como se a possibilidade de mudar
Me deixasse

O espaço inatingível
feito da mesma matéria
Inrasgável
Que vai entre tudo
Eu em mim

Repito que é bom
Que peço desculpas
Eu não queria ter atirado

Acho que o ceu é bonito
Mesmo que não seja

O infinito começo para um monte de coisas.

Flor

As folhas de grama correram ao fundo
Queriam me apontar uma porta
No fim do jardim que eu criava
Havia o botão de uma flor

Quando vi já corria
Meus dedos
Na ponta dos pés
Sobre as pétalas
Enquanto sonhava com pólens
Em pleno voo

Apertei o centro daquela beleza
Como se fosse me abrir uma porta
E a procurei entreaberta
No meio das nuvens

Mas a flor estava morta
Não dura muito

Eu caia de novo no chão